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ESPECIALIDADES

Hemorragia da Prematuridade

O nascimento prematuro impõe ao recém-nascido uma série de desafios, sendo o sistema nervoso central uma das áreas de maior vulnerabilidade. 

No universo da neurocirurgia pediátrica, uma das complicações mais críticas e frequentes em UTI´s Neonatais é a hemorragia peri-intraventricular

Trata-se de uma condição que exige vigilância constante e um planejamento terapêutico minucioso, pois a forma como o sangramento é gerenciado nos primeiros dias de vida reflete diretamente na qualidade do desenvolvimento neurológico da criança.

O cuidado com o bebê prematuro que apresenta sangramento intracraniano não se limita ao controle da lesão em si, mas foca prioritariamente na preservação do potencial cerebral

Identificar uma hemorragia da prematuridade, gerenciar sua progressão e intervir no momento exato, equilibrando os riscos cirúrgicos com a necessidade de aliviar a pressão cerebral, é o diferencial que permite ao cérebro em formação retomar seu curso de maturação com o menor impacto funcional possível.

Qual a principal causa de hemorragia da prematuridade?

A principal causa da hemorragia da prematuridade é a imaturidade anatômica de uma região profunda do cérebro chamada matriz germinativa

Esta área é um centro de alta atividade metabólica, densamente povoada por vasos sanguíneos extremamente delgados e frágeis, responsáveis por gerar as células que formarão o córtex cerebral durante a gestação.

Em bebês nascidos antes das 32 semanas de gestação ou com muito baixo peso, esses vasos ainda não possuem uma estrutura de suporte muscular ou colágeno desenvolvida. 

Consequentemente, eles são altamente sensíveis a variações na pressão arterial, nos níveis de oxigênio ou no fluxo sanguíneo cerebral. 

Qualquer instabilidade clínica no ambiente da UTI Neonatal pode romper essas estruturas, causando o extravasamento de sangue para dentro ou ao redor dos ventrículos cerebrais — as cavidades onde o líquido cefalorraquidiano, ou líquor, é produzido e circula.

Como é classificada a hemorragia da prematuridade?

A gravidade da hemorragia é classificada em quatro graus distintos, estabelecidos através da Ultrassonografia Transfontanelar. Este exame é a ferramenta de escolha na neonatologia, pois é realizado à beira do leito, de forma não invasiva, utilizando a moleira do bebê como janela acústica para visualizar o cérebro.

Grau I:

O sangramento fica restrito à matriz germinativa, sem invadir os ventrículos. Na maioria dos casos, o prognóstico é excelente e o sangue é reabsorvido naturalmente pelo organismo.

Grau II:

O sangue invade o interior dos ventrículos, mas não ocupa mais de 50% do espaço ventricular e não causa a dilatação dessas cavidades.

Grau III:

O volume de sangue é significativo, ocupando mais da metade dos ventrículos e causando uma dilatação aguda, o que aumenta a pressão dentro do crânio.

Grau IV:

Representa a forma mais complexa, onde o sangramento ou a isquemia associada se estende para o tecido cerebral adjacente (parênquima). Este grau exige vigilância da neurocirurgia pediátrica  intensiva e um acompanhamento multidisciplinar a longo prazo.

Como a neurocirurgia pediátrica atua na hemorragia da prematuridade?

O manejo da hemorragia da prematuridade é dinâmico e adaptado à estabilidade clínica do bebê. 

O objetivo inicial é quase sempre temporizar, controlando a pressão enquanto o recém-nascido ganha peso e maturidade pulmonar.

1. Reservatórios de Acesso Ventricular

Bebês com peso muito baixo frequentemente não possuem condições clínicas para suportar a implantação de uma válvula definitiva. Nestes cenários, a técnica de escolha é o implante de um reservatório de Rickham ou Ommaya. Trata-se de um dispositivo posicionado sob a pele do crânio e conectado ao ventrículo, permitindo que a equipe realize punções diárias para drenar o excesso de líquido e sangue, aliviando a pressão cerebral de forma controlada até que o líquor se torne límpido novamente.

2. Derivação Ventrículo-Peritoneal (DVP)

Quando a hidrocefalia persiste mesmo após a limpeza do sangue e o bebê atinge um peso seguro (geralmente acima de 2kg a 2,5kg), utiliza-se a DVP. Através de cateteres e válvulas modernas, o líquido é direcionado do cérebro para a cavidade abdominal.

3. Lavagem Ventricular Endoscópica

Técnicas mais modernas envolvem a neuroendoscopia para realizar a lavagem dos ventrículos, removendo coágulos e detritos inflamatórios de forma precoce, visando reduzir a incidência de hidrocefalia permanente e melhorar o prognóstico.

O Papel do Neurocirurgião Pediátrico na Jornada do Prematuro

O manejo da hemorragia da prematuridade exige mais do que habilidade técnica em sala cirúrgica; requer uma presença constante e um diálogo técnico rigoroso com a equipe de neonatologia. 

A neurocirurgia pediátrica atua também como uma gestão do desenvolvimento cerebral, monitorando diariamente sinais sutis, como o perímetro cefálico, a tensão da fontanela e os padrões de imagem na ultrassonografia transfontanelar.

A Dra. Patricia Dastoli é especialista no tratamento de complicações neurológicas de alto risco em recém-nascidos . 

Com especializações internacionais focadas na neurocirurgia pediátrica, sua prática é pautada pelo uso de protocolos globais que priorizam a intervenção minimamente invasiva. 

Além do tratamento cirúrgico, em seu consultório, localizado na Vila Clementino, o plano de cuidado com o recém-nascido inclui o acompanhamento desta neurocirurgiã pediátrica, para mitigar riscos e oferecer à criança a oportunidade de um crescimento saudável, independente e pleno.

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